Number   40   June 2003 Articles in original language

CARTA AL PRESIDENTE LULA
 

"Esta carta es enviada por personas que lo aprecian, admiran su
trayectoria política y desean prestarle toda ayuda, a fin de que el Sr.
pueda responder a las enormes esperanzas que su victoria despertó en el
pueblo brasileño".

Conscientes de la situación económico-financiera del país, tenemos una
clara percepción de las dificultades internas y externas que han llevado
al gobierno a promulgar medidas de restricción de gastos y aumento de
intereses. Sabemos, más allá de eso, que la globalización provocó
modificaciones sustantivas en la economía mundial y que será muy difícil
desarrollar el país sin participar de algún modo de la comunidad
financiera internacional.

Con todo, esas coacciones no pueden significar la renuncia a nuestra
soberanía. Dos medidas son particularmente preocupantes en este plano:
la negociación del ALCA y la pretendida autonomía del Banco Central.

La primera, como algunos de nosotros ya argumentamos en extensos y
repetidos razonamientos, expondrá a nuestros productores industriales,
agrícolas y de servicios a una competencia absolutamente desigual, cuya
primera consecuencia será una desnacionalización todavía mayor de
nuestro parque productivo. Y por su alcance que extrapola acuerdos
comerciales, pero involucra a la agricultura, inversiones, compras
estatales, moneda, servicios, deja clara la intención del Gobierno
Estadounidense de recolonizar el continente de acuerdo solamente con sus
intereses.

La segunda implica la entrega del control de nuestra moneda a los
capitales externos y, por tanto, la renuncia al proyecto nacional. No se
puede ocultar que, estando los sectores más dinámicos de nuestra
economía en manos de empresas extranjeras, la autonomía del Banco
Central significa transferir a ellas la fijación del valor de nuestra
moneda.

Por estas razones, tomamos la decisión de enviarle esta carta. A nuestro
entender, tanto el ALCA como la autonomía del Banco central son
cuestiones innegociables, puesto que implican la intangibilidad de la
propia soberanía de la Nación. Decisión de tal magnitud debe ser tomada
por el detentor de esa soberanía: el pueblo brasileño. Así, cada
brasileño y cada brasileña deberían ser llamados a pronunciarse sobre
ambas cuestiones en un plebiscito convocado para este preciso fin.

El plebiscito permitiría un gran debate nacional sobre los dos temas,
dando así fundamento a una decisión verdaderamente democrática sobre los
mismos.

Estamos convencidos de que una actitud firme del Brasil cambiará la
postura de las fuerzas que nos están presionando y abrirá camino para
que podamos construir autónomamente los caminos que más convengan a
nuestro desarrollo.

Sin embargo, si así no fuera, y el gobierno se viera colocado en la
contingencia de romper con las fuerzas que lo están presionando, crea
Sr.

Presidente, que las represalias no serán insoportables. Nuestra economía
ya es suficientemente fuerte para resistir a ellas y nuestro pueblo
suficientemente politizado para darle el apoyo necesario en ese
enfrentamiento.

Brasil, 1º de mayo de 2003

Alfredo Bosi; Ana Maria Freire; Ana Maria Castro; Ariovaldo Umbelino de
Oliveira; Augusto Boal; Beth Carvalho; Benedito Mariano; Bernardete de
Oliveira; Chico Buarque; Carlos Nelson Coutinho; Dom Demetrio Valentini;
Dom Paulo Arns; Dom Pedro Casaldaliga; Dom Tomas Balduino; Emir Sader;
Fábio Konder Comparato; Fernando Morais; Francisco de Oliveira; Joana
Fomm; Haroldo Campos; Leonardo Boff; Margarida Genovois; Maria Adelia de
Souza; Manuel Correia de Andrade; Marilena Chauí; Nilo Batista; Pastor
Ervino Schmidt/IECLB; Plínio Arruda Sampaio; Oscar Niemeyer; Ricardo
Antunes; Sergio Haddad; Sérgio Ferolla, brigadeiro; Tatau Godinho;
Valton Miranda


IN PORTOGHESE
(dal sito dei Sem terra)
http://www.mst.org.br/informativos/mstinforma/mst_informa38.htm)

Carta ao Presidente Lula

Esta carta lhe é endereçada por pessoas que o prezam, admiram sua
trajetória política e desejam prestar-lhe toda ajuda, a fim de que o Sr.
possa corresponder às enormes esperanças que sua vitória despertou no
povo brasileiro.

Cientes da situação econômico-financeira do país temos uma clara
percepção das dificuldades internas e externas que têm levado o governo
a editar medidas de restrição de gastos e elevação de juros. Sabemos,
além disso, que a globalização provocou modificações substantivas na
economia mundial e que será muito difícil desenvolver o país sem
participar, de algum modo, da comunidade financeira internacional.
Contudo, esses constrangimentos não podem significar renúncia à nossa
soberania.

Duas medidas são particularmente preocupantes em relação a este aspecto:
a negociação da Alca e a pretendida autonomia do Banco Central. A
primeira, como alguns de nós já argumentaram em extensos e repetidos
arrazoados, exporá nossos produtores industriais, agrícolas e de
serviços a uma concorrência absolutamente desigual, cuja primeira
conseqüência será uma desnacionalização ainda maior do nosso parque
produtivo. E por sua abrangência, que extrapola acordos comerciais, mas
envolve a agricultura, investimentos, compras estatais, moeda, serviços,
deixa clara a intenção do Governo Estadunidense em recolonizar o
continente, de acordo com seus interesses apenas.

A segunda implica a entrega do controle da nossa moeda aos capitais
externos e, portanto, a renúncia ao projeto nacional. Não se pode
ocultar que, estando os setores mais dinâmicos da nossa economia em mãos
de empresas estrangeiras, a autonomia do Banco Central signifique
transferir para elas a fixação do valor da nossa moeda. Por estas
razões, tomamos a decisão de enviar-lhe esta carta. Em nosso entender,
tanto a Alca quanto a autonomia do Banco Central são questões
inegociáveis, posto que implicam na intocabilidade da própria soberania
da Nação. Decisão de tamanha magnitude deve ser tomada pelo detentor
dessa soberania: o povo brasileiro. Assim, cada brasileiro e cada
brasileira deveriam ser chamados a se pronunciar sobre ambas questões em
um plebiscito convocado para esse expresso fim.

O plebiscito ensejaria um grande debate nacional sobre os dois temas,
dando assim fundamento a uma decisão verdadeiramente democrática sobre
os mesmos.

Estamos convencidos de que uma atitude firme do Brasil mudará a postura
das forças que nos estão pressionando e abrirá caminho para que possamos
construir autonomamente os caminhos que mais convém ao nosso
desenvolvimento.

Porém, se assim não for e o governo vier a ser colocado na contingência
de romper com as forças que o estão pressionando, creia Sr. Presidente,
que as represálias não serão insuportáveis. Nossa economia já é
suficientemente forte para resistir a elas e nosso povo suficientemente
politizado para dar-lhe o apoio necessário nesse enfrentamento.

Brasil, 01 de maio de 2003.

Alfredo Bosi; Ana Maria Freire; Ana Maria Castro; Ariovaldo Umbelino de
Oliveira; Augusto Boal; Beth Carvalho; Benedito Mariano; Bernardete de
Oliveira; Chico Buarque; Carlos Nelson Coutinho; Dom Demetrio Valentini;
Dom Paulo Arns; Dom Pedro Casaldaliga; Dom Tomas Balduino; Emir Sader;
Fábio Konder Comparato; Fernando Morais; Francisco de Oliveira; Joana
Fomm; Haroldo Campos; Leonardo Boff;
Letícia Sabatella; Margarida Genovois; Maria Adelia de Souza; Manuel
Correia de Andrade; Marilena Chauí; Nilo Batista; Pastor Ervino
Schmidt/IECLB; Plínio Arruda Sampaio; Oscar Niemeyer; Ricardo Antunes;
Sergio Haddad; Sérgio Ferolla, brigadeiro; Tatau Godinho; Valton
Miranda.








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